Durante o verão, muitas cidades sofrem com as enchentes!!! Com as águas que cobrem nossas ruas, vem também muitos problemas visíveis como a própria sujeira que invade as casas, comércio e outros, como também problemas invisíveis a olho nú como: leptospirose, micoses, hepatite A e outras doenças.
Aqui vai algumas dicas de como evitar essas doenças:
- evite andar descalço nas águas das enchentes; se tiver que caminhar nessas águas, use calça jeans ou de outro tecido mais grosso, sem arregaçá-las, cobrindo toda a perna, ajude colocando a calça dentro das meias ou utilize botas de borracha, sempre usando meias. Quando chegar a um lugar seguro e seco, retire tudo que estiver molhado e lave-se com água corrente e sabonete, Deixe sempre alimento protegidos em lugar seco.
Aqui também deixo a explicação de algumas das doenças provocadas pelas enchentes. Qualquer dúvida é só deixar neste blog que eu responderei com certeza!!!
LEPTOSPIROSE
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Devido ao aumento do número de casos de Leptospirose nesta época do ano, a Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo está divulgando aos profissionais de saúde o seguinte Informe Técnico, como orientação de conduta.
A Leptospirose é doença sistêmica aguda, causada por uma bactéria do gênero Leptospira, acometendo o homem e os animais e caracterizada por intensa vasculite.
É doença de notificação compulsória que ocorre durante o ano todo, porém sua maior incidência se dá nos meses de verão, devido às chuvas e enchentes que ocorrem nesta época do ano e, consequentemente, ao contato humano com urina de roedores contaminada com a bactéria.
Seu quadro clínico varia desde infecção assintomática até quadros graves que levam o paciente ao óbito.
Como definição de caso suspeito temos: pacientes que apresentem febre, mialgia (mais em panturrilhas), vômitos, calafrios, diminuição do volume urinário, hiperemia de conjuntiva e icterícia ou que apresentem sinais e sintomas de processo infeccioso inespecífico com antecedentes epidemiológicos de risco, tais como contato com água ou lama de enchentes, água de córregos, rios e lagos, fossa, esgoto, lixo, material para reciclagem, urina de animal doente ou contato direto com urina de roedores.
O Período de Incubação é de 1 a 30 dias, sendo, em média, de 7 a 15 dias.
Em seu espectro clínico, há formas leves que são confundidas com dengue ou outras viroses e formas moderadas e graves que cursam com ou sem icterícia, podendo acometer vários sistemas e apresentando, dependendo do grau de acometimento, as seguintes repercussões: insuficiência renal aguda, acometimento pulmonar desde tosse até hemorragia alveolar (maior causa de óbito em nosso meio), manifestações gastrointestinais, meningite e outras manifestações neurológicas, miocardite, entre outras.
Exames
Para a confirmação diagnóstica:
sangue para Teste de ELISA-IgM colhido a partir do 7º dia do início da doença; se o estado geral do paciente não for satisfatório, colher sangue no momento da admissão e verificar a relação entre a data da coleta e a data do início dos sintomas; se o resultado da sorologia for negativo e esta foi colhida antes do 7º dia, colher nova amostra após o 7º dia. Sempre que for colhida uma 2ª amostra, com intervalo mínimo de 7 dias entre a 1ª e a 2ª amostras, será realizada a Reação de Microaglutinação das duas amostras.
Para tratamento e acompanhamento hospitalar do paciente:
exames rotineiros: hemograma completo com contagem de plaquetas, sódio, potássio, uréia e creatinina, transaminases, bilirrubinas, CK e CK-MB, fosfatase alcalina, gama-GT, coagulograma e Urina tipo I.
exames especiais: quando a clínica do paciente indicar a necessidade, por exemplo: RX de tórax e gasometria quando houver tosse, taquipnéia, escarros hemoptóicos; ECG quando houver taquicardia, arritmias; líquor quando houver sinais de irritação meníngea (sua necessidade deverá ser pesada frente ao risco de sangramento devido à plaquetopenia); ultrassonografia de fígado e vias biliares quando da suspeita de colecistite calculosa e colangite; tomografia computadorizada de crânio nos casos de coma com suspeita de hemorragia intracraniana; tomografia computadorizada de abdome na suspeita de pancreatite; ecodopplercardiografia nos casos de disfunção miocárdica.
Conduta
1 - Casos Leves:
seguimento ambulatorial nos casos sintomáticos com orientação de repouso, hidratação adequada, coleta de exames para diagnóstico específico, retornos diários para avaliação da evolução dos sintomas (função renal, surgimento de icterícia e sintomas respiratórios) e retorno imediato em caso de piora.
Tratar com Amoxicilina 500 mg VO 8/8hs ou Doxiciclina 100 mg VO 12/12hs por 5 a 7 dias. Devido aos seus efeitos adversos, a Doxiciclina, por ser uma Tetraciclina, não deve ser utilizada em crianças menores de 9 anos, mulheres grávidas e pacientes portadores de nefropatias ou hepatopatias.
2 - Casos Moderados e Graves:
- Pulmão:
. Hemorragia pulmonar evidente: tentar CPAP; se não houver melhora gasométrica e clínica, realizar entubação
. Clínica de Insuficiência Respiratória e RX de tórax com padrão de hemorragia alveolar ou SARA, realizar entubação precoce.
. Sempre que possível realizar gasometria; se a PaO2 <> 60 mmHg ou SatO2 > 90% e relação PO2/FiO2 > 200.
- Sistêmico:
. Reposição volêmica: instalar PVC, se necessário, através de intracath ou dissecação de veia nos casos de alto risco de sangramento (plaquetas <>60 mmHg. Na falta de Noradrenalina, a Dopamina pode ser utilizada na dose inicial de 5 µg/kg/min com acréscimos de 2 a 3 µg/kg/min, visando manter a PAM >60 mmHg. A Dobutamina pode ser associada ou usada isoladamente nos casos de disfunção miocárdica e ICC (choque cardiogênico) na dose inicial de 5µg/kg/min com acréscimos de 2 a 3 µg/kg/min, visando manter a PAM> 60 mmHg. Pacientes que evoluem com hipotensão refratária à reposição volêmica são candidatos à monitorização hemodinâmica invasiva com cateter de artéria pulmonar, para melhor controle da volemia e das drogas vasoativas.
- Renal:
. Se mantiver oligúria após hidratação adequada, pode-se tentar revertê-la com Furosemida na dose de 100 mg.
. Controle diário da diurese, da uréia e creatinina plasmática (lembrar das formas não oligúricas da insuficiência renal).
. No caso de insuficiência renal aguda oligúrica instalada, indicar diálise (de preferência, a hemodiálise) precocemente e diária, para retirar volume em casos de insuficiência respiratória. Em locais onde a hemodiálise não puder ser realizada deve ser feita a diálise peritoneal, a qual também deve ser iniciada rapidamente nos pacientes oligúricos. Eventualmente, um paciente com poliúria pode não ser dialisado desde que esteja bem clinicamente, independente dos níveis de uréia e creatinina.
. Nos casos de hipopotassemia grave (K menor de 2,5 mEq/l), acompanhada ou não de arritmia cardíaca, repor potássio na velocidade de 0,5 mEq/kg/h até no máximo de 10 a 20 mEq/h, diluído em soluções de no máximo 80 mEq/l, durante 2 horas, reavaliando com novas dosagens de K. Repor com cautela na presença de insuficiência renal. Nas hipopotassemias mais leves, aumentar o K na manutenção.
- Hemorragia:
. Nos casos de sangramento, se as plaquetas estiverem abaixo de 30.000/mm3, administrar concentrado de plaquetas.
. Se o Coagulograma estiver alterado (TP elevado, AP diminuído, TS e TC aumentados), administrar vitamina K e plasma.
. Prevenção de hemorragia digestiva: Pantoprazol (40mg EV 12/12hs) ou Omeprazol (40mg EV 12/12hs) ou Ranitidina (50mg EV 8/8hs ou 6/6hs).
- Cardíaco:
. Arritmias cardíacas (fibrilação atrial e extrassístoles supra e ventriculares): corrigir inicialmente os distúrbios hidroeletrolíticos; caso persistam as arritmias, tratar com Quinidina, Amiodarona, Xilocaína ou outros antiarrítmicos.
- Antibioticoterapia:
A droga de primeira escolha é a Penicilina G Cristalina na dose de 1,5 milhão de unidades, EV de 6/6 hs (6 milhões de un./dia); para crianças, 50.000 a 100.000 unidades/kg/dia em 4 ou 6 doses; alternativas à Penicilina são: Doxiciclina – 100mg VO 12/12hs e Ceftriaxone 1 g EV 12/12 hs; para crianças, Ampicilina – 50 a 100 mg/kg/dia. A duração do tratamento é de 7 dias. Obs: nos casos de suspeita de sepse de outra etiologia, instituir antibioticoterapia empírica visando a sepse.
Lembrar:
- a suspeita de qualquer forma clínica deve ser tratada e notificada no SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação) pois a Leptospirose é doença de notificação compulsória no país.
- a Antibioticoterapia está indicada em todas as formas clínicas e em qualquer período da doença.
- a existência das formas leves e moderadas anictéricas da leptospirose.
- diagnóstico diferencial com outras causas de septicemia.
- leptospirose faz diagnóstico diferencial com dengue e as duas doenças têm maior incidência nos meses de verão.
- na dúvida, aumentar o espectro microbiano.
Esse Informe Técnico foi elaborado por profissionais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e teve sua última revisão realizada em setembro de 2006 pelos seguintes profissionais:
Prof. Dr. Antônio Seguro – médico nefrologista, livre docente de Nefrologia da FMUSP; chefe do Laboratório de Investigação Médica – LIM12/FMUSP; chefe da Unidade de Terapia Intensiva do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Márcia Regina Buzzar – médica sanitarista da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores e Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e da Gerência de Vigilância em Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.
Anne Spichler – médica infectologista da Gerência de Vigilância em Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo; aluna do Curso de Doutorado de Nefrologia da FMUSP.
HEPATITE A
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1. Descrição da doença – início usualmente abrupto com febre, mal estar, anorexia, náusea e desconforto abdominal, e aparecimento de icterícia dentro de poucos dias. O quadro pode ser leve, com duração de 1 a 2 semanas, ou mais grave, podendo durar meses, ainda que seja uma situação rara. A convalescença é muitas vezes prolongada. A severidade, em geral está relacionada com a idade, mas geralmente o curso é benigno, sem seqüelas ou recorrências. Muitas infecções são assintomáticas, anictéricas ou leves, especialmente em crianças, e diagnosticadas apenas através de testes laboratoriais. A letalidade relaciona-se com a idade; estima-se em 0,1% para crianças menores de 14 anos, chegando a 1,1% para pessoas maiores de 40 anos. Indivíduos com hepatopatias crônicas apresentam maior risco para desenvolvimento de hepatite fulminante.
2. Agente etiológico - vírus RNA, de 27 nm de diâmetro, possui um único sorotipo, classificado como Hepatovirus e membro da família Picornaviridae.
3. Ocorrência - distribuído largamente em todo o mundo, a ocorrência pode ser esporádica ou epidêmica, com a tendência a ciclos recorrentes. Em países em desenvolvimento, os adultos são usualmente imunes, pois são acometidos na infância, devido às precárias condições de saneamento e, sendo geralmente assintomáticos, as epidemias não são comuns. Entretanto, com a melhoria de medidas sanitárias em muitas partes do mundo, observa-se que os adultos jovens tornam-se suscetíveis e o número de surtos vem aumentando. Em creches é comum a transmissão da doença em crianças e, a partir delas, para seus contatos domiciliares. As epidemias evoluem, em geral, lentamente, nos países desenvolvidos, envolvendo grandes áreas geográficas e persistindo por muitos meses. A hepatite A pode ser transmitida também por via sexual, no contato com casos na fase aguda. Viajantes de áreas de baixa circulação do vírus podem se infectar quando vão para países onde a doença é endêmica. Epidemias por fonte comum podem evoluir explosivamente. Mais recentemente, observam-se surtos freqüentes em comunidades abertas, sendo a água, ou alimentos contaminados por manipuladores, as principais fontes de transmissão.
4. Reservatório - Os seres humanos são o reservatório comum da doença e em raras ocasiões, o chimpanzé em cativeiro e outros primatas. Não há evidências de que haja transmissão desses animais para os humanos.
5. Período de incubação - De 15 a 50 dias, dependendo da dose infectante; em
média 28 a 30 dias.
6. Modo de transmissão - Normalmente pessoa-a-pessoa pela via fecal-oral. O agente da infecção é encontrado nas fezes, alcançando níveis de pico uma ou duas semanas antes do aparecimento dos sintomas ou da disfunção hepática, diminuindo rapidamente em seguida, concomitante com o aparecimento na circulação dos anticorpos para o VHA. Foram relatadas fontes comuns devido à contaminação da água e também por contaminação dos alimentos pelos preparadores/manipuladores de alimentos. Vários tipos de alimentos podem estar implicados, inclusive, os cozidos, se contaminados por contato manual após o cozimento. Alimentos crus, como frutas (especialmente morangos), verduras (alface e outras verduras de folha) e mariscos podem transmitir a doença, quando cultivados com água contaminada. Embora raros, foram reportados casos de transmissão por transfusão de sangue e hemoderivados obtidos de doadores em período de viremia. Em quase 80% dos surtos notificados ao CVE, entre os anos de 1999 a 2005, não foi possível identificar a fonte primária de infecção.
7. Período de transmissibilidade - estudos de transmissão em humanos e evidências epidemiológicas apontam para uma infectividade máxima na metade final do período de incubação, continuando por uns poucos dias após o aparecimento da icterícia (ou durante o pico de atividade da aminotransferase em casos anictéricos). A maioria dos casos torna-se não transmissível após a primeira semana de icterícia, embora excreções virais prolongadas (mais de 6 meses) tenham sido relatadas em recém-nascidos prematuros.
8. Susceptibilidade e resistência - a susceptibilidade é geral. A baixa incidência da doença com sinais manifestos em crianças e escolares sugere que as infecções leves e anictéricas são comuns. Imunidade homóloga depois da infecção provavelmente dura para toda a vida.
9. Conduta médica e diagnóstico - o diagnóstico é estabelecido pela demonstração de anticorpos IgM contra o vírus da hepatite A (IgM anti-VHA) no soro do paciente na fase aguda ou doença recente. O IgM anti-VHA pode permanecer detectável por 4 a 6 meses depois do início. Se testes de laboratório não estiverem disponíveis, as evidências epidemiológicas podem fornecer o suporte para o diagnóstico. O diagnóstico diferencial da hepatite aguda deve ser feito com colestase reacional (bacteremias por germes capsulados, como pneumococo enterobactérias), leptospirose ictérica leve, hepatites por drogas (paracetamol, isoniazida + rifampicina, cetoconazol, etc.) ou substâncias tóxicas (álcool, tetracloreto de carbono, etc.), alterações hemodinâmicas (hipóxias), colecistopatias, síndrome de Gilbert, processos expansivos neoplásicos ou granulomatosos, colangites, cirroses, etc.
10. Tratamento - como norma geral, recomenda-se o repouso até a normalização das enzimas hepáticas. A base científica para a recomendação do repouso se faz no sentido de se obter a redução do processo inflamatório e manter um fluxo sangüíneo adequado aos hepatócitos. Não há recomendações para dieta, a não ser restringir os alimentos gordurosos no período em que os sintomas digestivos são preponderantes e impedir a ingestão de bebidas alcoólicas e drogas de metabolização hepática.
11. Medidas de controle - a) notificação de casos – é compulsória a notificação de casos de hepatite A (portaria nº 33 de 14/07/2005, DOU –seção 1 nº135 - 15/07/2005) às autoridades de vigilância epidemiológica, para que se desencadeie a investigação de fontes e o controle da transmissão através de medidas preventivas (educativas e imunização passiva dos contatos) (notificação no SINAN). No caso de creches e pré-escolas, ou instituições fechadas como orfanatos, presídios, asilos e similares, recomenda-se urgência na notificação do primeiro caso à vigilância local para investigação epidemiológica visando impedir a disseminação da infecção, com aplicação de medidas higiênico-sanitárias precoces; b) notificação de surtos – é mantida a obrigatoriedade da notificação imediata de surtos (2 ou mais casos) às autoridades de vigilância epidemiológica municipal, regional ou central. A investigação de surtos de hepatite A requer levantamento cuidadoso do número de casos, identificação dos fatores de risco comuns aos casos (identificação de fontes primárias e secundárias de transmissão) e estudo analítico com entrevista de casos e controles. Orientações para surtos de ocorrência no Estado de São Paulo podem ser obtidas junto à Central de Vigilância Epidemiológica - Disque CVE, no telefone é 08000-55-5466.
c) cuidados com o paciente – a) isolamento - é necessário o isolamento e afastamento do paciente das atividades normais (se criança, isolamento e afastamento da creche, pré-escola ou escola) durante as primeiras duas semanas da doença, e não mais que 1(um) mês depois do início da icterícia; exceções devem ser avaliadas no caso de surtos em creches com crianças muito jovens, sem controle esfincteriano (uso de fraldas), onde a exposição entérica está facilitada e pode ser prolongada; b) desinfecção concorrente - disposição sanitária adequada de fezes, urina e sangue; cuidados de desinfecção em geral e máxima higiene. A utilização de cloro, ou água sanitária, é eficaz para a desinfecção de objetos, limpeza de bancadas, banheiros, chão, etc.; c) imunização de contatos de um caso - a literatura internacional recomenda que a imunização passiva com IG (imunoglobulina), 0,02 ml/Kg de peso (IM), deve ser instituída, o mais precocemente possível, ou seja, até duas semanas após a exposição ou contato com o doente. Nos surtos em creches, pré-escolas, ou instituições fechadas todos os contatos devem receber IG, principalmente se as crianças usam fraldas. Recomenda-se a aplicação da IG em todas as crianças potencialmente expostas, e também IG nos funcionários. As imunoglobulinas tem 85% de eficácia e seu efeito começa dentro de poucas horas após a aplicação. Dependendo da dose aplicada pode fornecer de 3 a 6 meses de proteção.
12. Medidas preventivas - a) educação da população quanto às boas práticas de higiene pessoal com especial ênfase na lavagem rigorosa das mãos após contato com lixo, uso do banheiro, após manipular e trocar fraldas de crianças, antes da preparação de alimentos, antes de se alimentar, ou de alimentar crianças, após contato manual com frutas e verduras não lavados ou carnes e outros alimentos crus; b) medidas de saneamento básico com a rede pública de esgoto ou construção de instalações sanitárias adequadas, evitando o despejo de esgoto em córregos ou a céu aberto, são essenciais para a redução da circulação do vírus; c) vigilância da qualidade da água com monitoramento do sistema de abastecimento público feito pelos órgãos competentes (cloro residual deve ser de 0,2 a 0,5 mg/l). Nos locais sem água tratada esta deve ser fervida por pelo menos 1 minuto após o levantamento das bolhas de fervura, ou ser tratada com adição de hipoclorito de sódio 2,5%, 1 a 2 gotas por litro. É necessário proceder à limpeza das caixas d’água e higienizar utensílios e filtros caseiros; d) cuidados com os alimentos - devem ser bem cozidos, especialmente, mariscos e frutos do mar e protegidos contra moscas. O leite deve ser fervido por pelo menos 2 minutos após o levantamento das bolhas de fervura, e as verduras e frutas necessitam ser bem lavadas e mergulhadas durante 30 minutos em solução de hipoclorito de sódio 2,5%, 15 gotas por litro de água ou conforme a orientação na embalagem do produto utilizado; e) orientação das creches e pré-escolas e instituições fechadas quanto à necessidade de medidas rígidas de higiene e prevenção, com especial ênfase à lavagem das mãos para minimizar a transmissão fecal-oral, desinfecção de objetos, bancadas, chão, berços, utensílios e na disposição sanitária de fraldas, fezes, etc.. Além da recomendação de profilaxia dos contatos com IG, nestes centros, recomenda-se a proteção dos funcionários com vacina, quando se estabelece que estas creches são local de risco, situação que deve ser avaliada na investigação epidemiológica; f) proteção de viajantes para áreas endêmicas - recomenda-se uma dose profilática de IG ou vacina para a hepatite A. Para exposições de até 3 meses aplica-se uma dose simples de IG, 0,02ml/Kg de peso, ou 2 ml para adultos; para exposições mais prolongadas, 0,06 ml/Kg peso até 5 ml, repetindo-se essa dose a cada 4 ou 6 meses se a exposição continuar. Nesses casos a vacina está indicada; g) imunização com a vacina anti-hepatite A - estudos vêm sendo realizados indicando a importância da vacinação em massa em áreas onde a circulação do vírus é alta e a infecção ocorre em crianças jovens, com quadro clínico sem muita importância. Alguns autores apontam para a necessidade de se traçar uma estratégia para o uso desta vacina, propondo sua indicação primeiramente, para os grupos que apresentarem maior risco em adquirir a infecção. Dessa perspectiva, seu uso deveria ser considerado para viajantes de regiões bem desenvolvidas para menos desenvolvidas; para crianças em creches, pré-escolas e instituições fechadas (internatos, orfanatos e similares) e para os funcionários desses centros, quando os mesmos têm papel importante na sustentação da epidemia na comunidade; para homossexuais masculinos; para usuários de drogas ilícitas e para todos aqueles para os quais o risco de transmissão seja comprovadamente importante. Em situações mais amplas, o papel desta vacina está sendo ainda investigado.
13) Medidas em epidemias - a) investigação epidemiológica – deve ser realizada imediatamente após a notificação do caso, pela equipe da VE local, buscando identificar a forma de transmissão (se pessoa-a-pessoa ou por um veículo transmissor comum), bem como identificar a população de risco; b) investigação sanitária – a equipe da vigilância sanitária deve ser acionada e com base na investigação epidemiológica deve tomar as medidas de controle; c) eliminar a fonte comum de transmissão – se, por exemplo, for um manipulador de alimentos, administrar IG a todos os demais manipuladores e orientar quanto aos procedimentos rigorosos de higiene que devem ser tomados no local e quanto aos cuidados no preparo dos alimentos; d) controle da transmissão - através de esforços especiais para melhorar as condições sanitárias e práticas de higiene; e) profilaxia em massa com IG - surtos focais de hepatite A em instituições podem exigir esse tipo de profilaxia. Nos EEUU, quando se verifica a necessidade de proteção de longa duração, recomenda-se o uso simultâneo da IG e da vacina nos contatos de casos de hepatite A. O uso apenas da vacina como medida de profilaxia pós-exposição não está bem determinado, necessitando de maiores estudos.